Tristeza, vamos conversar.

Texto: Kah Marques

Esses dias eu ouvi de uma grande amiga minha de que a tristeza faz parte da vida também, é preciso dar espaço a ela, mas não permitir que ela faça morada. Fiquei pensando sobre isso. De fato, nos cobramos tanto para sempre estarmos bem, sorrindo, felizes, sustentando muitas vezes uma imagem que nem é de fato o que estamos sentindo, como se a tristeza fosse algo ruim, ou algo não digno de sentirmos.

A tristeza é necessária. Muitas vezes ela vem de mansinho, com a ponta dos pés e se acolhe em algum canto até que percebamos sua presença, e a primeira coisa que tentamos fazer é fugir, sair correndo, rejeitar, dizer não. Queremos que ela vá embora a qualquer custo, sem ao menos entendermos o porquê da sua visita.

A tristeza é triste! Que frase redundante, mas é para se pensar, porque ela não vem sem ser convidada. E é muita falta de educação expulsarmos alguém quando fomos nós quem a convidamos. E toda vez que ela vem, é para nos mostrarmos que alguma coisinha está fora do eixo, está fora da casinha. Toda tristeza nos convida para nos sentarmos e juntos a ela, entendermos o que está acontecendo para que ela possa se retirar, tendo assim, feito o seu papel.

Passei a dizer que a tristeza é terapêutica. Quando estamos felizes, alegres, eufóricos, não questionamentos esses sentimentos, apenas permitimos senti-los e adoramos quando assim estamos e, de repente, eles passam sem ao menos termos aprendido algo com eles. E a tristeza, ela não é ruim, se dermos atenção, ela é de fato muito nossa amiga. Ela nos ajuda a mudarmos de opiniões, a crescermos, a amadurecermos. Ela nos dá a possibilidade de olharmos aquilo que não está bem, a fim de buscarmos a melhoria.

Portanto, tente da próxima vez quando estiver na presença da tristeza, convidá-la para tomar um chá (minha avó costuma dizer que um chá ajuda muito), vá bater um papo, e escute-a, porque com toda a certeza ela terá muito o que te dizer. E depois de ouvi-la, ela se retira a fim de que outros sentimentos venham fazer morada.

67 visualizações1 comentário