Super Eu

Texto: Kah Marques


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Acabo de vir de uma noite de insônia, acordando em pleno domingo às 05h45. Faço um achocolatado bem doce, pego minha caneca e leio: Mais amor por favor (a mesma frase do quadro da minha sala). Abro o notebook e a Cortana (assistente virtual do Windows) me pergunta: Como posso te ajudar? Queria dizer a Cortana todas as coisas as quais ela poderia fazer por mim (começando por lavar a louça que está acumulada na pia), mas sabendo não ser possível, me contento em apenas sorrir e logo os primeiros pensamentos dão espaço as palavras.

Começo me perguntando por que raios algumas de nós, mulheres, seres humanos mortais, temos a necessidade, seja por um breve período ou por uma vida toda, de querermos ter o controle de tudo? Ou melhor, de pensarmos que temos o controle de tudo.

Queremos tudo em ordem: casa, trabalho, casamento (se você for casada), filhos (se você os tiver), finanças, peso, cabelo, menstruação (para quem não quer engravidar) e mais uma lista interminável de coisas. Algumas necessárias, mas outras, na maioria das vezes desnecessárias.

Queremos ser especialistas em política, moda, ativismo, mercado financeiro, como fazer isso, como fazer aquilo. Queremos descobrir como sair da rotina, como salvar o mundo, como parar o aquecimento global. É muita informação.

Chega!!!!!!!!!!!!! Desacelera a mente por favor.

É preciso trocar o salto alto por uma havaiana. Tirar a maquiagem, sentir o vento bater no rosto. Fazer um coque no cabelo, esquecer o celular na gaveta junto com o relógio e tocar o dane-se (estou sendo educada, porque eu adoro dizer tocar o f...). Chego à conclusão de que eu não quero ser uma Supermulher, nem uma Mulher-Maravilha, nem uma Super-Heroína, nem uma Super nada. Quero ser apenas uma Mulher, com direito a nesse período da vida, a ser a mãe de um Golden e nem sempre estar a fim de passear com ele. Quero ser a mulher que se separou e que está solteira (é, ainda não apareceu nenhum corajoso). Quero deixar a minha casa bagunçada de vez em quando, com roupas esparramadas e louças por lavar. Quero comer quase tudo o que me dá prazer (sem o sentimento de culpa), quero viajar, escrever, chorar quando eu me sentir perdida, entre outras fraquezas que são minhas e que faz de mim esse Ser único e tão singular. Eu não quero ser nada “Super”. Não quero o excesso, alias é na leveza que a vida é feita. Quero ser apenas uma mulher com todas as paranoias da qual somos presenteadas. Quero as cólicas, lágrimas, surtos, tpm. Quero todas as fases e todos os desvaneios. Quero dizer que está tudo bem não estar tudo bem, porque logo esse turbilhão de sentimentos passa.

E, se amanhã, ao acordar, eu querer ser Super alguma coisa, eu espero de todo o meu coração que eu queira ser apenas uma Super Eu.

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