Deixe ir, não insista.

Texto: Karen Marques

Foto: Google. Se você é o autor dessa foto, envie-nos um e-mail para mesclee@gmail.com e colocaremos os créditos devidos.

Recebi um vídeo que gostaria que o mundo inteiro pudesse assistir e refletir, independente da sua religião, da sua crença ou da sua fé. O vídeo é um sermão que fala sobre “Deixarmos ir”. Confesso que virou o meu mantra diário e que desde então vou dormir escutando para que minha mente inconsciente absorva as sábias palavras ditas.

O vídeo inicia-se dizendo que sabemos começar, mas não sabemos terminar. Sabemos começar um relacionamento, uma amizade, um novo trabalho, uma nova religião, mas na hora que esses ciclos precisam ser encerrados, geralmente não sabemos finalizar. Somos bons em entrar, mas não somos bons em sair. Ele atribui esse fato a sermos românticos. Talvez ele tenha razão, de fato consciente ou inconsciente somos todos um pouco românticos. Romantizamos todos os inícios. Damos o melhor em tudo, fantasiamos os relacionamentos, criamos a magia em nossa volta. Todo início vem repleto de esperança, mas infelizmente, nem todos temos maturidade emocional para quando vem as crises e precisamos lidar com os términos.

Quando as coisas estão bem temos estrutura, mas quando elas vão mal, não sabemos lidar e a consequência são os finais que geralmente são trágicos e que deixam sequelas por um longo período. É uma pena, porque muitas vezes toda uma história é esquecida e o crédito vai todo para o final dela. A forma como você sai da vida de uma pessoa diz mais do que da forma como você entrou. Porque é aquela lembrança que vai ficar. É preciso ter caráter para poder sair, porque quem fica, em algum momento irá superar, recomeçar, mas quem vai embora, por mais que aparentemente sustente a satisfação do recomeço (e reforço, isso vale para todas as áreas) em um futuro não muito distante as lembranças das saídas sempre vem à tona.

Na parte do vídeo em que diz que os finais são trágicos, começo a pensar em todos os finais que vivenciei ou escutei de amigos e familiares e não consigo me recordar de algum que tenha sido fácil ou ao menos honesto. Um termino sempre é traumático. Mas não deveria ser, acredito que ele seja decorrente de não sabermos como terminar, por isso ele torna-se tão doloroso. Se tivermos mais responsabilidade emocional e nos colocássemos mais no lugar do outro, “talvez”, seria mais fácil. A lei de não fazer com o outro o que não gostaríamos que fizesse conosco se aplicaria bem a esse momento.

Há uma passagem bíblica que que diz: “Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos”. Essa passagem faz sentido para você?

Ninguém tem o poder de obrigar alguém a ir ou a ficar. As pessoas são livres para fazerem suas escolhas. Aceitarmos o fim (por mais doloroso que seja) é entender que se fosse um dos nossos, não teria partido. Então, que sentido faz querer brigar, espernear para que aquelas pessoas que querem ir embora, fiquem? Elas querem partir, portanto, deixe-as ir.

A vida é cíclica. É preciso finalizar um ciclo para iniciarmos outro. A diferença é o quanto nos apegamos as pessoas que querem partir. Nesse ponto do apego, eu daria um pouco de crédito ao Ego. Por mais difícil que seja, é necessário entender que temos valor e querer segurar os amigos, os funcionários, os cônjuges ou namorados é perder o amor próprio que temos que ter. Quando alguém não quer continuar, é preciso deixar ir. Vai por mim, sei o quanto é difícil deixar ir – cresci em um lar de idas e vindas – mas aprendi que a única pessoa que eu não posso deixar ir embora sou EU. Eu sou a pessoa que preciso permanecer e ter a coragem de recomeçar independente da bagunça que deixaram. Eu sou a pessoa que precisa ficar quando todos quiserem ir e acredite: Temos força capaz de recomeçar e não há nada que segure uma pessoa quando ela diz sim para esse recomeço. Portanto, deixe as portas abertas para quem quiser sair, mas ao final, feche-as e volte para você. Você não precisa ir junto.

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