Como deixar um homem aos seus pés. Ah! Pagando por isso, é claro!

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Texto: Karen Marques

Meu celular acaba de vibrar. Recebo o aviso de que acabo de receber um novo e-mail. Jurava que seria mais uma promoção de passagens aéreas ou de algum comunicado sobre minhas publicações. De repente o assunto me chama atenção mais do que o necessário:

Curso online – Como deixar um homem aos seus pés.
Penso: Será que li correto? E sim é isso mesmo.
- Hum, então fale-me mais sobre isso. (Abro o e-mail e começo a ler a proposta INDECENTE).

O curso oferece desde como mandar mensagens interessantes até como se vestir para o primeiro encontro, ou seja: Como fazer, como dizer, como ir e como pagar é claro. Começo a me perguntar: Caramba, aonde entra a minha persona nisso tudo? Iremos criar um avatar (será que posso ser rica e usar roupas da Dior na brincadeira)? E esse personagem irá durar quanto tempo? Até o próximo encontro? Ou até ele me levar na porta de casa? Desde que eu passe no teste do cursinho é claro.

Sou apoiadora e usuária da era digital, a qual veio como um facilitador em diversos pontos na vida do Ser Humano. Mas cá entre nós, não é exagero dizer o que você ou o que eu tenho que fazer? Poxa! Quando foi que passamos da naturalidade para a necessidade de pagarmos alguém para nos dizermos o que precisamos fazer para que o sexo oposto se interesse por nós?

Não podemos deixar de ser o que somos por queremos estar em um relacionamento. Na verdade, não podemos deixar de ser o que somos por nada (muito menos pagando por isso).

Devemos lembrar de que não há ninguém igual a nós nesse mundo e essa é a parte mais linda. Quem se interessar tem que ser pelo conjunto da obra, pelo externo e interno. Está certo de que as vezes demora para aparecer alguém bacana, mas mudar o que somos talvez não seja o caminho mais rápido para que esse alguém apareça.

Quer usar seu jeans surrado? Use. Gosta de sertanejo? Continue gostando. Não gosta da culinária japonesa? Continue não gostando. Você pode ir para o mundo do outro, conhecer coisas novas, mas não abra mão dos seus gostos. Uma coisa é descobrir o mundo do outro, outra coisa é abandonar o seu por achar que o do outro é mais interessante que o nosso.

Não é mito dizer que as coisas acontecem tudo no tempo certo. Viver a cada dia, cada momento, sem duvidar da sua capacidade, da sua beleza e do seu poder. Mudar para agradar o outro é o primeiro sinal de que não estamos no caminho certo. Tudo o que não é natural um dia vem à tona. Podemos até mudar a roupa, o cabelo, a grafia, mas a essência, isso não tem como mudar. E é exatamente isso que vai prevalecer depois do corpo, da conversa, dos etc. e isso não está incluso em nenhum curso (ainda bem).

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